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domingo, 15 de novembro de 2009

TUDO NATURAL


Ao passo da evolução tudo muda, avança, desenvolve-se, acompanha os novos rumos traçados pelas incertezas e fragilidades do tecnológico mundo que vivemos. O homem, por si, assume uma postura artificial, que encapada por uma insensibilidade social torna comum atitudes que só mesmo um filme de ficção cientifica retrataria tão bem.

Tudo mudou e agora até mesmo os parabéns são menos compromissados, hoje basta um recado no Orkut, daqueles tipos de muito mau gosto, enviados simplesmente para demonstrar a falsa alegria que um “amigo” sente por aquele dia que lhe é tão especial. Esqueceram o que é bom, privilegiam a praticidade e desprezam a sinceridade da amizade, não seria melhor um abraço aconchegante e um honesto e vivo meus parabéns, é estranho aceitar impessoalidade sempre como desculpa e o desencontro como prova irrefutável do seu uso.

Acho que todos estão mais mecânicos, sempre com frases feitas e decoradas, é o que chamam de linguagem formal ou automática, e não limito isso ao clássico exemplo da “linguagem telemarketiana”, me refiro às formalidades até mesmo das conversas entre os amigos, estas agora se limitam a um “tudo bem com você? como vão as coisas?” Respondido com um seco “aqui está tudo bem e você como está?” e só, as longas conversas recheadas de boas histórias já não são mais possíveis, existe sim uma repetição automática dessas frases curtas, mas que no fundo ainda demonstram-se saudosas por uma pergunta que exija mais da resposta e assim relembre mesmo que rapidamente os diálogos de antes.

Para muitos da sociedade atual as pernas ou uma simples bicicleta nunca será um bom meio de transporte, aliás, nunca será sequer um meio de transporte. Pensamos sempre que um carro ou qualquer outro meio que contenha um motor e tenha uma boa marca visível seja o melhor para a locomoção, talvez pelo fato de que assim evitamos o contato com aquelas pessoas que insistem em viver no mesmo mundo que você, aquela história de quebrar fronteiras fica do lado de fora quando você fecha o vidro do seu carro e ativa o alarme da cerca elétrica da sua casa, a comodidade escraviza, mas a privacidade mata por isolamento.

Mas tudo é tão natural para as pessoas, o livro mais lido pelo homem moderno, é o best-seller Manual de Instruções, nos orgulhamos por já ter mais de cem contatos no site de relacionamento dos quais a grande maioria nunca nos cumprimentam ao nos encontrar, nossa comida é rápida de fazer e o gosto já não é tão parecido ao de ração para gatos, as roupas não precisam mais ser passadas, pois não amassam, é o tal o poliéster, mas ainda continuam precisando ser lavadas, trocamos MP19 por o MP20 sem notar uma diferença evidente, a TV está tão fina quanto a vizinha anoréxica só com melhor qualidade de imagem.

Espero que alguém como eu ainda prefira retardar o máximo possível esse automatismo humano que tenta nos dominar, alguém que ainda procure seus amigos para contar seus problemas, prefira uma boa comida caseira, detesta o gerúndio, conversa de forma simples, gosta de dirigir, porém sabe que isso estressa, não tem cerca elétrica, apenas um cachorro que dorme no quintal e adora caminhar nos finais de semana, enfim, que pessoas que selecionam a melhor forma de evolução sem deixar que essa evolução destrua a essência do relacionamento humano, a naturalidade em sua essência e não a destorcida por hábitos robóticos.


domingo, 25 de outubro de 2009

Por que o coração?



Já não basta ser um dos mais importantes órgãos do corpo, o coração sempre leva a culpa ou é sobrecarregado com outras tarefas que a fisiologia não explica.

É incrível como coração foge do conceito fisiológico e pede licença poética para acomodar situações, atos, sentimentos que nenhum outro órgão desempenharia tão bem.
Bombear e circular sangue pelo corpo por si só virou função secundária, o coração virou referência para inúmeras coisas, o amor, amigos, paixão, maldade, bondade, premunição, entre outras coisas.

Por exemplo, atualmente guardar os melhores amigos do lado esquerdo do peito, implicitamente expõe uma função do coração. Função difícil já que exige um esquema de segurança preciso, afinal bons amigos, são valiosos e uma boa memória também, isso só para lembrar aqueles realmente “melhores” e nunca esquecê-los, mas mesmo sem ser sua especialidade o faz divinamente.

Não sei como e nem quando decidiram que apaixonar-se é outra função relacionada ao coração, lembra daquela expressão “coração apaixonado”. Pois é, como se não bastasse os amigos, os amores também são destinados para lá. Interessante e ao mesmo tempo injusto, pois não é coração que vê o ser amado, não ouve sua voz doce, nem sente seu cheiro suave de paz. Você se apega e depois coloca a culpa na referência que todo mundo usa como deposito de culpa por ter se apaixonado, e ainda diz quando não deu certo: “meu coração está em pedaços”.

O coração para muitos tem a função de indicar o grau de bondade e de maldade de uma pessoa. Aquela expressão “coração de pedra” ou até mesmo “pessoa sem coração”, automaticamente te remete a um ser frio, insensível, amargo. Por outro lado existem os “corações de manteiga” ou “gente de coração grande” ou “coração de mãe”, pessoas amáveis, generosas e compreensíveis. Mas nesse ponto questiono-me: simbolizar e resumir as más ou as boas atitudes de uma pessoa tomando seu coração como ponto de observação, seria apenas um meio tácito e intangível de percepção ou uma forma simples e confiável de análise da personalidade humana?

O coração às vezes ainda atua como vidente, pressente coisas e fatos que ainda não ocorreram isso fica evidente quando algo acontece sempre se escuta: “meu coração palpitou que isso iria acontecer” ou até mesmo quando algo de ruim está para acontecer o coração fica “apertado”. Como se explica isso? Acho que não se explica, talvez seja apenas mais um acúmulo de função, uma habilidade desenvolvida pela necessidade sensorial da alma.

Pode dizer que coração é bobo, se apaixona a toa, bate feliz quando te vê, serve de guia, tem metade certa, pode ser entregue, roubado, é o lugar onde você guarda o que tem de bom e de mau. Mas já dizia Renato: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”

domingo, 18 de outubro de 2009

Com o passar do tempo....



E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Novo


O novo é mesmo assim jovem, moderno, surpreendente e desafiador.
Não vem só no fim de cada ano, vêm todas as manhãs.
É igual à TV nova só que sem o manual de instruções.
É aquele barulho de tssss quando você abre aquele refrigerante, você veste, liga e desliga, exige um slogan, uma boa propaganda e que sempre permite o recomeço.

Ainda está na caixa, não amadureceu, não chegou aos quinze, não tem nada escrito e não emperra pra fechar.
O que é novo tem etiqueta, não está amassado, riscado ou sujo.
Ao contrário é do tipo branco brilhante, cheiro de bebê, bem dobrado, embrulhado e ainda está no plástico.
Tudo que você ainda não provou, leu ou ouviu é novo.

Aquilo que estréia com lançamento, desperta o desejo de ter, sinônimo de avanço, futuro.
Anda mais rápido, design arrojado, tem qualidade superior, boa resolução, é caro, é do ano, inovador.
Desperta o zelo, cuidado, atenção pra sempre continuar novo.

Felizmente tudo um dia fica ultrapassado, antigo, velho, só assim o que é novo aparece e percebemos o quanto ainda podemos melhorar e evoluir
.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Meu amigo


Amizade é assim mesmo, tenho que me conformar, você conhece, gosta, compartilha, se afasta, sente saudades, mas romper laços de fato não dá, amigo dos bons é uma pedra no sapato.

Os amigos de verdade são todos cheios de problemas esperando só por você pra poder contar, de boas risadas aguardando só você pra sair e até lágrimas você tem que enxugar. Só eles sabem guardar segredos, nunca esquecem data do seu aniversário, talvez por isso só eles façam festa nesse dia, riem quando você conta uma piada sem graça, perdoam quando você perde algo que os pertencia e até dívida perdoam, com eles aquele dito amigo amigo, negócios a parte não existe, mas claro há exceções.

Não me peça pra descrever com tanta precisão como eles agem, você sabe, amigo bom mesmo é tudo igual, ora chatos ora normais. E assim vamos estabelecendo e concretizando o contato, confundindo a vida de um com a vida do outro, várias histórias em comum.

Se pensar numa vida sem ter um amigo que seja, é só me dizer que faço um esforço pra puxar conversa e ir logo revertendo esse quadro. Mesmo com poucos amigos é possível fazer uma grande amizade, porém não reclame se não tiver um melhor amigo pra lembrar quando estiver lendo isso, fez sua parte? Foi o melhor amigo pra alguém alguma vez, ou só esperou favores sem retribuir?

Agora quando encontrar um amigo, eu disse amigo mesmo, agüente-os para o resto da vida, porque mesmo que você mude de endereço, nº do telefone, e-mail, eles dão um jeito pra te encontrar e perguntar como vai sua vida, as novidades, chamar para o aniversário deles ou qualquer outra comemoração que reúna toda aquela turma boa, tudo isso é culpa sua, tinha que estudar na mesma escola que eles? E ainda mais na mesma sala?Prestar vestibular para o mesmo curso? Morar na mesma rua? Mas pensando bem foi melhor assim.

E assim você vive, reencontrando e se surpreendendo como a amizade é contrária ao tempo, algumas coisas quando envelhecem perdem o valor, você logo pensa em jogar fora, e amizade não, quanto mais velha, antiga, melhor ela fica.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Analfabeto eu?



De uns tempos para cá, percebi que o conceito da palavra analfabeto é bem mais abrangente do que se pensava.

Ao conseguir decifrar esse código e compreender a mensagem aqui presente, por um dos empregos da palavra você não é um analfabeto, não faz parte dos mais de 15 milhões das estatísticas do Ministério da Educação, mas o mundo não se limita somente a decodificação de símbolos.

Analisando o termo por ângulos diferentes, você necessariamente é analfabeto, ou seja, sempre há algo que você ainda não sabe. Talvez você se identifique com esses quatro tipos de analfabetismo classificados no ranking dos que mais sofrem preconceitos e mais difíceis de erradicação.

O Analfabeto tecnológico caracteriza-se por sua incompatibilidade de manipular as tecnologias presentes no seu dia-a-dia. Por exemplo:
• Celular possui um conceito breve, aparelho pequeno que quando levado ao ouvido permite escutar a voz de uma pessoa.
• Computador é apenas uma televisão difícil de ligar e que guarda meu Orkut.
• MP3 já tive um, mas tinha tal de USB que nunca achei.

O Analfabeto gastronômico típico sujeito que possui desastrosas aventuras na cozinha. O fogão nunca compreende o que é pra fazer, a cozinha é o local da casa com maior força gravitacional e tudo tem a tendência de ir repentinamente ao encontro do chão, o fogo é realmente perigoso quando fica fora de controle e a comida não é ruim, só é feita para paladares extremamente, eu disse, extremamente apurados.

O Analfabeto esportivo é minoria, porém sua incapacidade de entender os esportes é grande. A maioria composta por mulheres, sem preconceitos, são dados estatísticos, os indivíduos desse grupo nunca compreende porque um bando de idiotas corre atrás de uma bola, porque quase todo esporte tem um bola, porque não posso torcer pra seleção ganhar o campeonato brasileiro. Pra essas pessoas Diego Hipólito é um grande jogador de basquete, Zico se consagrou no Itumbiara e Fernando Scherer é ex-paquito.

O Analfabeto automobilístico, o mais nocivo dos analfabetos. Sua inabilidade de conduzir veículos de transporte os torna potencialmente perigosos pela possibilidade de causarem graves acidentes. Sempre ficam na expectativa de ouvir a expressão “o carro está pedindo marcha!”, e sempre têm muitas dúvidas, porque o espelho do retrovisor é tão pequeno? O motor é na frente ou atrás? Onde fica o freio mesmo? A direção causa medo, parece que todos os gatos, cachorros e criancinhas correndo atrás de uma bola resolvem atravessar na frente do carro toda vez que ele dirige.

Mesmo que você se encaixe em algum desses tipos, isso necessariamente não significa que seu valor diminui por não compartilhar os mesmo conhecimentos que outras pessoas possuem, afinal ninguém sabe tudo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não eu não bebo!


Desculpa excelente quando te oferecem alguma bebida. Você educadamente responde: eu não bebo, mas eles insistem: prova, você retruca: não eu não curto!
Mas se a insistência permanecer aqui tem umas desculpas mais elaboradas:

•Não quero parar no hospital todo inchado, sem conseguir nem andar, quase sem roupa, levado por uma pessoa que nunca vi na vida, só para tomar glicose na veia porque a cerveja estava tão gelada que não resisti.

•Não quero cair no chão do bar esperneando, com a minha súbita felicidade, ou meia-hora depois estar aos prantos compulsivos contando minhas mágoas para as pessoas, isso antes de minha vocação de cantor ser aflorada repentinamente, depois da quinta dose, você passa de homem a um palhaço bêbado.

•Não eu não quero dançar só de cueca em cima da mesa igual a um Michael Jackson desengonçado, estado esse conquistado pela doce ilusão de estar mais sexy do que de costume, após beber você pensa: que mal tem fazer estriptease.

•Não eu não quero enriquecer, ficar o rico poderoso, achar que com a grana que tenho na carteira posso tomar todo o estoque de uísque, nem tão pouco me achar o mais forte e valente, pensar que só comum braço acabo com o engraçado que se meter comigo, até porque meu pai não é advogado tão pouco da polícia.

•Não me desculpa sou exigente quando o assunto é mulher, não quero pegar a mulher mais feia que estiver na minha frente só porque minha vista está confusa, pensar ainda que encontrei a mulher da minha vida e propor logo um casamento, bêbado não sabe usar camisinha.

•Não dá, estou de carro, beber implica sair discordando das pesquisas que dizem que o álcool faz perder habilidade motora, só pra sair dirigindo e matar uns três ou quatro mendigos nas calças antes de destruir o poste com a frente do meu carro, não dá trabalhei bastante para comprar meu carro e o seguro está atrasado.

•Não posso, detesto ressaca, principalmente aquelas seguida de longas dores de cabeça, sem falar do gosto ruim na boca depois das vomitadas no sanitário, detesto levantar quando estou dormindo para beber água, e ressaca dá uma sede, sem falar nas idas ao banheiro, morreria de desidratação.

Agradeço aos amigos pela inspiração, admiro-os, mas não invejo os que gostam de degustar excessivamente o álcool na sua forma comercializada em garrafas de vidro ou alumínio. Afinal a fila para um transplante de fígado não está tão longa assim, são apenas 8 mil concorrentes, e por mais que eu seja doador de órgãos, fígado eu só tenho um, então não se confiem.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Toda experiência


Viva os desafios da vida, como já dizem as frases de caminhão, só existem as vitórias porque existem os desafios. Mas que coisinha complicada é ganhar, ou melhor, acumular experiências.

Não basta existir, a droga de vida ainda te obriga a interagir, vai lá conversa mais, pergunta mais, escuta mais, e você nem pode selecionar o quer ou não saber.
Tem tanta coisa que queria ter evitado, não ter dito, escutado ou visto, mas faz parte, inocência perdida ao longo da vida só serve realmente para despertar a busca pelo novo, em outras palavras passamos de simples tolos, a pessoas independentes com boas histórias para contar.

O mundo te faz e não o contrário, desde as mancadas, as viagens, as festas, os amores, os amigos e tantas outras coisas de um pouco você absorve algo e soma a sua vivência.
Se você nunca tivesse dito: “e ai Seu Antônio beleza?” sem se dar conta que estava falando com o pai da sua namorada, um senhor de 62 anos, nunca saberia que ele se contenta com um tudo bem.

Ser experiente necessariamente não significa ter vivido bastante, a experiência é medida de acordo com intensidade com que se vive, por isso é importante entender que isso é variável, não posso comparar a minha vivência com a de um traficante, piloto de avião ou a de um diplomata, assim sendo não sei roubar, matar ou algo do tipo, com certeza nunca conseguiria pousar um avião intacto ou evitar uma guerra só com palavras. Mas minhas experiências me ajudam a evitar e desviar de pessoas falsas, a saber, dar meia embreagem nas subidas ou a apaziguar conflitos entre os meus amigos só com um clássico “deixa disso”.

Enfim ser experiente não é apenas: saber como fechar aquela porta sem que ela faça barulho, devolver o livro na biblioteca mesmo com prazo já vencido sem pagar multa, saber fazer arroz refogado, zerar o jogo paciência, dormir de rede sem amanhecer com o corpo dolorido, evitar engasgar com espinha quando se está comendo peixe, o que fazer para o almoço quando só se tem batata e macarrão, ouvir leoni quando se está triste ou pensativo, saber que ovo é vendido por unidade se você não quiser comprar um caixa com doze.

Experiência é mais do que lidar com situações e saber experimentar situações.

sábado, 11 de julho de 2009

O Lado bom da vida

http://www.youtube.com/watch?v=lzdr7yXHykk


Agora estou de pés descalços.

Já não uso mais tão intensamente meus sentidos.

A pressa que me perseguia perdeu o fôlego.

Sou todo novamente vivo.

Faço do nada meu alívio e meu objetivo.

Não espero mais pelo amanhã como antes, o presente agora já me basta.

Larguei ali num canto aquele cansaço ainda jovem, mas fiel companheiro do dia.

Que venham os amigos, as boas e longas conversas, as madrugadas na frente da TV, os beijos da namorada, a boa comida feita em casa, o sono guardado quero que esse seja gasto.

Porque os problemas guardei no bolso de alguma roupa que não visto mais.

Estou enfim com a mente fria, vazia, de férias, gastando a preguiça que quase já não tinha.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Assim

Teu amor,
deve ser o melhor e mais doce de todos,
não é amor chato,
sério,
comum,
é aquele meio sem jeito,
novo,
simples.
Quem disser que há limites, não te conhece amor
o finito não te pertence, nem te vê
Segure minha mão, amor
você já sabe qual música ouvir,
os segredos a guardar,
as palavras pra dizer,
quando calar para ouvir
os presentes para se dar,
as datas para lembrar,
o melhor e pior de mim.

Então fique,
eternize-se,
perpetue-se,
esqueça o tempo...
segure minha mão!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dias

Os dias são contados por um cara chamado calendário, unidos de forma repetida até somarem 365.
Família grande sem criatividade para nomes, cinco mulheres, segunda, terça, quarta, quinta e sexta, e apenas dois homens sabádo e domingo. Criados de forma rotineira pelo transpor da noite para o dia.
Tem uns que se tornam:

Marcantes - dia de nascer;
Sem fim - dia de adoecer;
Torturantes - dia de vestibular;
Esperados - dia de festa;
Menos esperados - dia de morrer;
Sem graça - dia a só;
Vazios - dia de férias;
Cheios - dia de mar;

Nós organizamos frente ao amanhã, participando de um ciclo de recomeço sem percepção, todos temos os mesmos dias, pelo menos no calendário todos os dias são comuns.
Use a vida para renomear seus dias!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Breve

 

A vida sabe onde começar e onde acabar, não espera sua decisão nem sua vontade. Existe sem sua necessidade, transpõe o conceito real e alcança fins menos palpáveis.

Você não sabe se este momento vai estar sob os olhos da noite ou na clara luz do dia, desperdiçando calor para aquecer o já frio corpo. Com qual roupa vai estar, como vai estar de humor. Só sabemos realmente que existirá uma pergunta a ser feita, essa é a hora certa? Nunca saberemos se já fizemos tudo que se há de fazer nesse mundo, talvez tivéssemos um saldo maior de sorrisos, lágrimas, gritos, abraços, beijos para se gastar.

Não há fuga, e acho que você já sabe disso. Quem decide? É uma decisão? algo regido pela coincidência? Talvez não devamos pensar somente no provável ou explicável, seria amedrontador limitar a vida somente ao aqui e ao agora, assim perdemos a posteridade.

Pensando bem, parece que sempre estamos nas mãos de alguém, que a qualquer momento a mão que nos sustenta fecha-se e pronto, você nem consegue acabar de ler isso. Manipulação ou independência, como a vida acontece cada um que escreva sua resposta, mas toda resposta vai sempre de encontro a uma correção.

Assim só há duas vias para se deixar a vida, uma de forma súbita e muitas vezes trágica apenas parando-se os passos, a antecipação, e outra mais natural, viver até chegar ao fim, parar e esperar o que vem agora. Então metaforicamente, porque não entender que nosso corpo é uma simples vela, que a vida é o fogo do uso e a morte sabiamente, pode ser compreensiva e esperar a vida consumir o corpo até o fim ou ser traiçoeira, e através de um sopro apagar a nossa existência.

domingo, 7 de junho de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Bom presente!


Ao ganhar esse presente achei logo de cara que ele tinha vindo do céu, bem embrulhado, um pacote bem feito, numa caixinha de tamanho médio que parecia mais frágil do que se pensava. Comecei a imaginar o que seria claro antes mesmo de abri-lo.
Talvez fosse aquele CD de leoni, ou quem sabe de engenheiros. Mas o que eu gosto de ouvir não cabe em um único CD, são tantas músicas boas para tantos momentos marcantes, amores e amigos.
O papel de bom gosto não me deixava rasgá-lo, achava uma maldade com aquele tão belo presente. Decidi esperar e pensar mais um pouco, para ver se conseguia adivinhar sem precisar abri-lo.
Quem sabe era um perfume, o cheiro é sempre um bom meio de se aprisionar lembranças, ativa nossa memória de forma rápida e precisa, mas o pacote era pequeno demais para guardar um perfume.
Bem outra tentativa, pode ser apenas um relógio, ando precisando de um, meu tempo anda às vezes rápido demais, outras lento demais, e fico assim ora ansioso pela pressa, ora triste pela espera. Mas cadê o tic-tac? Não ouvia esse barulho do pacote, ao contrário não existia barulho algum.
Devido à dificuldade de acertar o que estaria ali dentro daquela caixa, fui aos poucos perdendo a calma, mas ainda continuei tentando adivinhar.
Então talvez fosse uma simples caneta, como minhas palavras escorrem da tinta e abraçam carinhosamente o papel, prosseguiria eu escrevendo como diz Clarice meu domínio sobre o mundo. Mas se analisando bem, era um pacote embrulhado demais para uma simples caneta.
Enfim, sem esperar mais, rasguei o papel, abri a caixa, não consegui mais esperar. Lá estava dentro da caixa, minha vida, o mais real, caro e funcional dos presentes, algo que possibilita ouvir minhas músicas, sentir o perfume e o cheiro das coisas, ver o tempo passar e tatear em busca inspiração.
Eu só posso dizer que adorei o presente, estou tentando cuidar bem dele. Não espere muito tempo para abrir e desfrutar o seu presente. VIVA!


sábado, 23 de maio de 2009

Qual a espessura da sua linha tênue?


Qual a espessura da sua linha tênue?

Dosar os extremos que existe dentro de você é um trabalho de extrema precisão, habilidade que nem sempre é naturalmente inclusa em todas as personalidades.

Então como se comportar hoje, ser mais justo ou injusto, estar mais alegre ou infeliz, mais certo ou mais errado, sábio ou menos sábio. Caminhar no equilíbrio todos tentam, mas o equilibrio por si não é fácil de ser alcançado, sua busca se resume talvez para muitos em apenas fugir desses opostos da vida.

Estamos sujeitos a qualquer instante a estar fora do compasso, a entrar num mundo que aparentemente parecia não existir, somos levados então a desfrutar o outro lado da moeda.
Decidir quais atitudes se vestir hoje é possível, mas as vezes as influências que existem desnorteiam nossas ações programadas e nos levam a sempre retomar o combate com dualidade.

Talvez nunca saberemos qual a espessura da famosa linha tênue, até um dia paramos para pensar e observarmos, que ela talvez nem exista, estamos sempre oscilando entre o pecar e o perdoar, o guardar e o contar, o sonhar e o realizar, sem o meio-termo.

Esse jogo em que estamos não aceita o "em cima do muro" nossas experiências são reflexos dos universos que frequentamos, como todo jogo este também possui fases.



sábado, 16 de maio de 2009

Relatos de lição de vida


Incrível como o ser humano tem que passar por cada situação para aprender a viver.
O que lhes conto agora quando ouvi me deixou muito triste e pensativo em relação as nossas atitudes desumanas de cada dia.
Uma vez um amigo na fila de um caixa de supermercado, depois de fazer as compras do mês, esperava para poder pagá-las. De repente se aproxima dele uma senhora de aparência frágil, roupas velhas e de elevada idade, e pergunta-lhe se ele podia pagar as compras dela.
Sem direcionar muita atenção para a senhora, meu amigo disse que era estudante, e que já tinha que pagar por suas compras e não poderia fazer o que ela estava pedindo.
Ao olhar mais atentamente para a velhinha que já ia indo embora ele percebeu que as compras que ela pedira para que pagasse não se comparava a sua expressiva e real necessidade, ela carregava na cesta do supermercado apenas um pacote de leite e uma caixa de ovos, para ela isso seria sua feira do mês.
Essa situação o deixou muito constrangido e sem ação, percebendo como a disparidade da vida pode ser cruel, como eu e você fechamos nossos olhos para a desigualdade que nos rodeia, somos insensíveis a condição de vida do outro, mais do que isso somos cegos diante dos problemas que nós mesmos criamos.

Reflita
História de um amigo Emanoel

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Vítimas até quando?

Ontem fique impressionado com a reportagem exibida no Programa Repórter Record sobre violência e maioridade penal.
Em um trecho da reportagem, a jornalista conversava com uma "criança", de repente ela pergunta o que ele queria fazer quando fosse adulto, num reposta rápida que parecia já estar esperando a pergunta, ele respondeu friamente e com muita ênfase:
"Eu quero roubar, matar, roubar banco, roubar idosos, roubar... roubar banco..roubar jornalista"

Nesse momento em que ele disse "roubar jornalista" a repórter que estava na sua frente, mudou de expressão devido a audácia na resposta, direta e ameaçadora.

Aquele menino por mais jovem que parecia demonstrou toda sua inteligência, intimidou de forma direta a repórter, usou-a como uma possível vítima no seu caminho pelo crime, percebeu o momento como favorável para expor sua personalidade já corrompida pela violência e perversidade.

Com essa situação podemos nos perguntar está certo tratar menores de dezoito anos ainda como crianças ou adolescentes imaturos em suas ações, impotentes em responder por suas condutas hediondas e por que não se dizer selvagens? De quem é esse problema? Quem está fabricando jovens assassinos?

A resposta para tais indagações pode não estar definida, todos temos culpa, pois somos parte da sociedade desigual e desumana de hoje, que com programas sociais falhos e politicas públicas ineficazes, potencializam o problema da violência no nosso país, que só para agravar a situação possui um código penal antigo, que não acompanha mais as mudanças na mentalidade dos nossos jovens.
Enquanto a solução não vem, se você ou um parente seu é morto por um "trombadinha" como diz Pedro Bial, só porque ele gostou do seu tênis, fica por isso mesmo, a sua vida não importa, em nome da preservação do direitos humanos e da criança, sacrifica-se a sua vida e a de outra possível pessoa que você não conhece, mas que futuramente, quando o menor assassino cumprir seus dois anos de resocialização ou nem isso, terão um triste fato em comum.



domingo, 10 de maio de 2009

Sem Perder a Esperança

Nossa como está difícil manter a tal da esperança, por mais que tentemos sempre tem algo que nos impede de vivenciá-la.
Todos os dias travamos uma luta intensa, por exemplo:
  1. Acordar cedo é um ato que exige extrema esperança, esperança que hoje será um dia agradável, tranquilo, sem maiores complicações, isso mesmo sabendo que teremos aquela prova na faculdade, que o almoço não vai ser tão bom como nos dias de domingo, que pode chover mesmo na hora em que você está indo pra casa a pé e sem um guarda-chuva;
  2. Assistir TV no domingo também é um ato de esperança, esperança em ter uma atração boa para te distrair, um programa sem esculhambação, com conteúdo, mesmo sabendo que aos domingos geralmente só tem um canal mais ou menos "assistivél", que só tem aquele programa de humor sem graça, as intermináveis propagandas de produtos caros e sem função, aquele dito programa de variedades meia-boca;
  3. Possuir um provedor de internet via rádio que só em o tempo ficar nublado o sinal já desaparece é um ato de esperança, esperança que um dia dia você terá internet banda-larga, ou um emprego com salário melhor para mudar de provedor ou torcer para amanhã ser um belo dia de sol, mesmo que este provedor seja o único que chega nesse fim de mundo que é sua cidade, que você ainda não tem nem emprego que dirá um salário melhor e ultimamente esteja na época das chuvas na sua região;
  4. Namorar a distância é o típico exemplo de esperança, esperança em terminar a faculdade para poder trabalhar e comprar um carro para ir visitá-la, que o amor que ela sente por você não acabe devido o muito tempo sem te ver, que ela aceite o pedido de casamento de uma vez para acabar com esse sofrimento, isso mesmo que ela não entenda que você ainda é um estudante lascado sem carro para ir visitá-la, que a distância é uma ótima desculpa para acabar relacionamentos e que o casamento iria acabar com a distância, mas o amor não enche barriga;
  5. Escrever está sendo uma boa forma de manter a esperança, sendo também um ato de esperança, esperança que você que acabou de ler isso tenha gostado, que tenha se identificado com algum desses exemplos, que não me veja como um péssimo autor, mesmo que você não tenha gostado continuarei tentando manter a minha esperança, assim bem firme, independente de como será o amanhã, se terei mais acertos do que erros, isso resume o que é esperança, nunca perder a coragem de buscar uma vida melhor.

sábado, 2 de maio de 2009

Sinais e Sintomas


Considerada uma doença contagiosa, o amor é a forma mais grave de carinho que uma pessoa pode sentir por outra. E como as demais doenças apresenta claros sintomas que podem ser percebidos facilmente.

Primeiramente temos o contato com uma pessoa que nos deixa de certa forma paralisados devido sua voz doce, sua beleza, seu sorriso cativante.

Após alguns dias manifestam-se outros sintomas ainda mais característicos, como se pegar pensando em como seria bom ficar cada vez mais perto daquele ser tão agradável, e ao dormir se perguntar se ela também pensa em você, ou melhor, se nossos pensamentos são iguais naquele momento, só esperando que sua imagem forme-se na minha mente para poder contemplá-la.

Alguns sintomas significam à confirmação do contágio, a melancolia, a cara de bobo, a saudade, aquele “nossa como ela é linda!”, requerem um tratamento sério, que se não realizado pode nos trazer uma grande decepção.

Porém esse tratamento é simples, através dele podemos manter uma vida normal, já que esse tipo de doença "felizmente" não tem cura, esse tratamento baseia-se numa vacina feita da mesma forma que tantas outras, só que ao invés de uma única dose precisamos de várias todos os dias, além disso, essa auxilia a pessoa contaminada a continuar com esses mesmos sintomas por um longo tempo de maneira prazerosa, uma vacina obtida através do próprio agente causador, nesse caso da pessoa que te deixou assim, aquela que por ser tão simples complicou sua vida com um grande dilema: Como vou viver sem ela?

Enfim, você que acha que nunca irá passar por essa, mude de idéia, talvez quando você escrever um texto assim já esteja precisando ser tratado.

Romário

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mais Do Que Saudade


Meus passos não seguem mais os teus
Cadê teu sorriso
Teu cheiro
Teu olhar despeço
Teu abraço e teu calor?

Pensei que sempre caminharíamos juntos
Paralelamente unidos por nossos universos
Firmes a cada passo

Mas tua sombra desapareceu lentamente
Tuas pegadas foram esquecidas pelo chão
Largastes a minha mão e agora a ausência me acompanha no teu lugar
Sem dar adeus você partiu e sem querer dei boas vindas a saudade

Meus olhos ao olharem para trás se enchem de um frio vazio
Não sei quantos serão os meus passos sem ti
Se eles serão firmes como aqueles ao teu lado


Agora só a tua lembrança encurta a distância entre nós
Só me resta uma dúvida
Será que levastes minha vida na tua ou a deixastes cair quando largastes a minha mão?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Caro tempo:

Talvez nada tenha sido mudado, minha carência ainda necessite de reparo
Quem sabe eu não seja mais um espírito fraco com esperanças regadas por descrenças
A doce voz que me chama não tem sido calada pelos silenciosos desencontros
Que a tal paixão ainda necessite de flores para violar os pudores
Talvez a minha solidão não esteja lá quando eu devolver as ilusões sufocadas pelos fracassos
Espero que minhas lágrimas não tenham secado diante do absurdo
Que meu sorriso possa ser aceso nos dias de angústia
Talvez meu pessimismo seja infiel e me abandone a qualquer instante
Que a minha felicidade seja palpável
Só a minha não transponha o concreto, o real
Talvez seja apenas você, o tempo, meu grande problema,
Talvez seja você que brinca com minha felicidade com suas mãos desastrosas.


sábado, 18 de abril de 2009

Anjo sem asas


Agora sou anjo sem asas, cálido e áspero
Anjo tolo, voando baixo pra te olhar acabei aos poucos a me apaixonar
Intimo do céu e dos sonhos, por te fiz minha realidade parar
Guardando teus passos em qualquer lugar, nos teus olhos fui morar
Voo agora nos pensamentos enganados,tristes sem o imenso azul a me banhar
Sou pleno de medos, tenho os mais comuns defeitos, fruto do amor meio sem jeito
Só não tenho arrependimento, sou louco por teus beijos, são meus intimos desejos
Anjo seu, anjo sem tempo, anjo breve, sem talento, guardião sem armas, só alentos
Perco a plenitude dos ares, faço teus os meus horizontes, longe mas ao alcance
Asas e ventos, conquistarei minha liberdade não nos céus das dores, mas nos braços dos amores!

domingo, 12 de abril de 2009

Quixeramobim :::::::::: video humor

Poema


Eu Caminho riscando meus passos
Tropeço na pressa da vontadade

Sempre acalmando os olhos para não iludi-los
e o coração para não usá-lo.
Perfeição a minha disfarçada pelo meu erro de amar
Lágrimas secas afagadas por mãos tão macias
Estendidas sempre pelo amargo sentido da perca

Fortalecem ao passo curto da saudade as lembranças de uma paixão.

segunda-feira, 23 de março de 2009

AS VANTAGENS DE SER BOBO

Clarice Lispector, 12 de setembro de 1970.


- O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar
no mundo.
- O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se
perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou
pensando.”
- Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se
lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem à idéia.
- O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.
- Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
- O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver.
- O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo é um
Dostoievski.
- Há desvantagem, obviamente: Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era a de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro.
- Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
- O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem nota que venceu.
- Aviso: não confundir bobos com burros.
- Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das
tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a frase célebre: “Até tu,
Brutus?”
- Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
- Os bobos, com suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
- Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
- O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
- Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos.
- Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida.
- Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
- Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita o ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
- Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cimas das casas.
- É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só obobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

domingo, 22 de março de 2009

Anjo Seu



Sou um Lecabel!
Sou luz na resolução dos problemas mais difíceis.

Só por você


Saberia te amar mesmo se você não existisse
Saberia te amar mesmo se não me ouvisse
Saberia te amar mesmo se não me visse
Quero mais do que estar do teu lado, quero você na minha alma
Quero mais do que tudo, quero o teu melhor sorriso, a tua felicidade intensa
Quero olhar nos teus olhos e ver a tua inocência protegida pelo meu amor
Quero que teus abraços se escondam nos meus braços
Sei que te amo sem medo de te magoar, sem medo de te fazer sofrer
Amor sincero, fiel, vivo, renovado pela saudade do dias sem seu calor
Você sabe me fazer feliz, pois você sabe me amar!

Observando o Tempo

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