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sábado, 17 de abril de 2010

Um Pouco do Amor


Amor ainda é um cara sem advogado e por isso sempre leva a culpa, é do tipo celebridade perseguido vinte e quatro horas pelos adeptos da paixão, soube que anda enjoado de chocolate, vive se perguntando pra quê tantas flores, já teve amizade com Alencar, mas seu melhor amigo de fato foi Pessoa e está de saco cheio do tanto de gente que fala dele.

É o amor foi memoravelmente eternizado em tantas músicas, tantos comercias de tempero, mas ao contrário de Zidane, Alain Delon e Michael Jackson e tantas outras personalidades das quais inúmeras crianças carregam o peso dos seus nomes espalhadas pelo mundo todo, este popular e injustiçado ser, não conhece nenhum cara que esteja assinando por ai, Amor Pereira da Silva, ao menos não que eu saiba.

Porém se não está na presente nas certidões de nascimento, o amor reina nos apelidos. Confessa que você já foi chamado carinhosamente de “amorzinho”, em outras horas o amor é o superlativo “mozão”, em outras até deixa-se italiano, “amore”. Outros menos criativos chamam logo de “moreco” ou “mômô”.

O amor é poliglota, se alguém te diz I love you, por menos criativo que seja, você nem precisa ser um cidadão globalizado para entender a mensagem. Aliás, o amor adora mensagem, você mesmo guarda uma daquelas longas cartas shakespearianas ou mesmo que não, mas já aceitou um “depô” no Orkut de poética pouco refinada, mas dita e entendida com tom de amor.

O amor ao que me parece para muita gente é feito de pelúcia. Os ursinhos são oconcur quando se quer dizer a uma pessoa que a ama. Só que hoje em dia os ursinhos perderam certo espaço no mercado, o amor está diversificado, têm muitos corações sorridentes, travesseiros de longos braços, camisetas com frases criativas e até canecas de um sofisticado mau gosto.

O amor continua bem vermelho. Ainda espera ser lembrado com a clássica imagem daquela velha flecha atravessando um coração, desenhada no caule de uma frondosa árvore. O amor não está menos romântico, apenas meio sem tempo, mas ainda escuta Fábio Junior e quando quer marcar presença manda logo rosas colombianas com aquele bilhete arrebatador finalizado, com amor!Quando não maltrata, no mínimo provoca.

O amor vai além da musica de Zezé de Camargo e Luciano, mais que a chama que arde sem se ver e a dor que desatina sem doer de Camões, deleita-se entre beijos compromissados. Amor é aquele cara que adora andar de mãos dadas, te chama pra ir ao cinema, pergunta se você está se alimentando bem.

Quando o amor é amor, ilude, mas te realiza.

Afasta-se, mas te pertence.

Provoca o desencontro, mas adora coincidências.

Doe de saudade, mas deixa lembranças.

Amor verdadeiro faz mais que poéticas promessas de eternidade, deixa apenas sua alma se perpetuar infinitamente na completude da alma do outro.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Observar

 



Você já imaginou o que seria do céu sem seus observadores, se perguntou se há nesse mundo quem ainda não deitou sob um céu estrelado, aquele com uma lua imponente, um infinito todo ali passível de contemplação. Sem o ato de observar muitas estrelas ainda estariam à espera da descoberta, sem nome e sem uma constelação, nunca teríamos visto à imagem de são Jorge nas crateras lunares e as cadentes que despertam fascínio e realizam desejos.

Quantos foram os grandes nomes da historia que se tornaram gênios diante da sociedade mediante uma observação. Se Newton não tivesse visto uma maçã a cair talvez ainda nos perguntássemos frustradamente porque não voamos, quantos não foram às inúmeras cobaias, rotineiramente vigiadas por olhos doutorados da ciência em busca do por que comportamental ou das reações a alguma substância. Através da atenção guiada pela curiosidade do conhecer fizemos surgir de sábios como Platão a gênios como Einstein, passamos de geocêntricos a heliocêntricos graças aos olhos sem telescópio de Copérnico, pintores como Debret e Da Vinci, arquivaram suas observações em tintas e telas históricas, guerras foram vencidas e até mesmo reis napoleônicos e pérsicos foram derrotados com rapidez e astucia da simples tática de observar estratégias.

Todas as conquistas humanas sempre se basearam em observações sejam casuais ou meticulosas. Observando os erros, agora sabemos que produção em larga escala sem consumo leva a crises, observando os acertos, continuamos a usar antibióticos para combater infecções. Conquistamos com a TV a oportunidade de observar, em tempo real, o que acontece em vários lugares através de uma tela bombardeada por elétrons, com isso massificamos o processo de observação, e assim toda uma geração, milhões e milhões ganharam o nome de telespectadores, que agora hipnotizados passam horas e horas pulando remotamente canais atrás de saciar a vontade de ver.

Um observador nato analisa criteriosamente um ambiente ao entrar e ao sair, deduz muito de alguém pela forma como está disposto, vestido, pela maneira como anda ou fala, baseados em uma única observação, salvam ou empurram réus para a condenação, estabelecem o difícil perfil da personalidade humana e narraram textualmente boas historias em terceira pessoa.

Quem observa sabe seguir moldando a vida, estudando a melhor maneira de agir. Quem observa vive os detalhes, saboreia com fugacidade cada problema, pois tem um mundo todo sob o comando dos olhos. Permanecem eternamente sábios, pois descansam a mente preenchendo os olhos admirando um belo pôr-do-sol, assim exercitam sempre sua melhor arte.

Tolices




A tolice em nós humanos é o defeito que salta, excede, supera-se em relação a tantas outras imperfeições que nos constituem. O tolo age à mercê da inocência irracional e de um conhecimento pretensioso.

O humano por si ama cosias fúteis, estabelece facilmente um relação de extremo sentimentalismo com coisas que não cumprem o que o termo mutualidade significa em uma relação, pergunte-se como um carro pode despertar um apego tão vivo quanto um amor correspondido.

A futilidade que faz os tolos age de forma a aprisioná-los em relações esquisitas, colecionadores apegam a moedas, selos, discos de vinil, outros tantos zelam doentiamente pelas coisas que possuem privando-se do prazer de usá-las para conservá-las, outros se apegam a objetos que não podem deixar de ser usados devido à sorte que trazem, relações essas onde a troca é unidirecional ou em sentido algum.

Muitos gastam boa parte da vida com lamurias e lagrimas impróprias, sofrem com as mínimas perdas e guardam ressentimentos e magoas que deixam a vida mais que pesada. Se és tolo reconciliações são desconhecidas, apertos de mão impossíveis e até um abraço mesmo que aquele travado não pode ser feito por que tolos não sabem calcular o preço do ato de perdoar, ficam a expor velhas feridas de forma que nem mesmo o tempo as cura.

Tolos contentam-se com uma bela embalagem, preferem recados a palavras ditas com uma voz honesta. Para eles bons presentes são aqueles que os encha a vaidade, que os deixem entorpecidos pelo falso brilho que transmitem, os presentes de que realmente necessitam são dispensáveis, trocam facilmente um bom conselho por um perfume, e ficam assim com o olfato satisfeito e a visão sem destino.

E assim continuaremos a ver que tolos ao invés de educar suas crianças com boas histórias, com um sono embalado pelo colo maternal, através de brincadeiras que despertem o sorriso ao colorir um simples desenho, pelo quase gol, pela vertiginosa sensação das brincadeiras de roda, preferem criá-las sobre rabiscos de desenhos japoneses e sobre a estupidez gritante dos teletubbies. A espécie perpetua-se de geração em geração, os tolos educam tolos.

domingo, 15 de novembro de 2009

TUDO NATURAL


Ao passo da evolução tudo muda, avança, desenvolve-se, acompanha os novos rumos traçados pelas incertezas e fragilidades do tecnológico mundo que vivemos. O homem, por si, assume uma postura artificial, que encapada por uma insensibilidade social torna comum atitudes que só mesmo um filme de ficção cientifica retrataria tão bem.

Tudo mudou e agora até mesmo os parabéns são menos compromissados, hoje basta um recado no Orkut, daqueles tipos de muito mau gosto, enviados simplesmente para demonstrar a falsa alegria que um “amigo” sente por aquele dia que lhe é tão especial. Esqueceram o que é bom, privilegiam a praticidade e desprezam a sinceridade da amizade, não seria melhor um abraço aconchegante e um honesto e vivo meus parabéns, é estranho aceitar impessoalidade sempre como desculpa e o desencontro como prova irrefutável do seu uso.

Acho que todos estão mais mecânicos, sempre com frases feitas e decoradas, é o que chamam de linguagem formal ou automática, e não limito isso ao clássico exemplo da “linguagem telemarketiana”, me refiro às formalidades até mesmo das conversas entre os amigos, estas agora se limitam a um “tudo bem com você? como vão as coisas?” Respondido com um seco “aqui está tudo bem e você como está?” e só, as longas conversas recheadas de boas histórias já não são mais possíveis, existe sim uma repetição automática dessas frases curtas, mas que no fundo ainda demonstram-se saudosas por uma pergunta que exija mais da resposta e assim relembre mesmo que rapidamente os diálogos de antes.

Para muitos da sociedade atual as pernas ou uma simples bicicleta nunca será um bom meio de transporte, aliás, nunca será sequer um meio de transporte. Pensamos sempre que um carro ou qualquer outro meio que contenha um motor e tenha uma boa marca visível seja o melhor para a locomoção, talvez pelo fato de que assim evitamos o contato com aquelas pessoas que insistem em viver no mesmo mundo que você, aquela história de quebrar fronteiras fica do lado de fora quando você fecha o vidro do seu carro e ativa o alarme da cerca elétrica da sua casa, a comodidade escraviza, mas a privacidade mata por isolamento.

Mas tudo é tão natural para as pessoas, o livro mais lido pelo homem moderno, é o best-seller Manual de Instruções, nos orgulhamos por já ter mais de cem contatos no site de relacionamento dos quais a grande maioria nunca nos cumprimentam ao nos encontrar, nossa comida é rápida de fazer e o gosto já não é tão parecido ao de ração para gatos, as roupas não precisam mais ser passadas, pois não amassam, é o tal o poliéster, mas ainda continuam precisando ser lavadas, trocamos MP19 por o MP20 sem notar uma diferença evidente, a TV está tão fina quanto a vizinha anoréxica só com melhor qualidade de imagem.

Espero que alguém como eu ainda prefira retardar o máximo possível esse automatismo humano que tenta nos dominar, alguém que ainda procure seus amigos para contar seus problemas, prefira uma boa comida caseira, detesta o gerúndio, conversa de forma simples, gosta de dirigir, porém sabe que isso estressa, não tem cerca elétrica, apenas um cachorro que dorme no quintal e adora caminhar nos finais de semana, enfim, que pessoas que selecionam a melhor forma de evolução sem deixar que essa evolução destrua a essência do relacionamento humano, a naturalidade em sua essência e não a destorcida por hábitos robóticos.


domingo, 25 de outubro de 2009

Por que o coração?



Já não basta ser um dos mais importantes órgãos do corpo, o coração sempre leva a culpa ou é sobrecarregado com outras tarefas que a fisiologia não explica.

É incrível como coração foge do conceito fisiológico e pede licença poética para acomodar situações, atos, sentimentos que nenhum outro órgão desempenharia tão bem.
Bombear e circular sangue pelo corpo por si só virou função secundária, o coração virou referência para inúmeras coisas, o amor, amigos, paixão, maldade, bondade, premunição, entre outras coisas.

Por exemplo, atualmente guardar os melhores amigos do lado esquerdo do peito, implicitamente expõe uma função do coração. Função difícil já que exige um esquema de segurança preciso, afinal bons amigos, são valiosos e uma boa memória também, isso só para lembrar aqueles realmente “melhores” e nunca esquecê-los, mas mesmo sem ser sua especialidade o faz divinamente.

Não sei como e nem quando decidiram que apaixonar-se é outra função relacionada ao coração, lembra daquela expressão “coração apaixonado”. Pois é, como se não bastasse os amigos, os amores também são destinados para lá. Interessante e ao mesmo tempo injusto, pois não é coração que vê o ser amado, não ouve sua voz doce, nem sente seu cheiro suave de paz. Você se apega e depois coloca a culpa na referência que todo mundo usa como deposito de culpa por ter se apaixonado, e ainda diz quando não deu certo: “meu coração está em pedaços”.

O coração para muitos tem a função de indicar o grau de bondade e de maldade de uma pessoa. Aquela expressão “coração de pedra” ou até mesmo “pessoa sem coração”, automaticamente te remete a um ser frio, insensível, amargo. Por outro lado existem os “corações de manteiga” ou “gente de coração grande” ou “coração de mãe”, pessoas amáveis, generosas e compreensíveis. Mas nesse ponto questiono-me: simbolizar e resumir as más ou as boas atitudes de uma pessoa tomando seu coração como ponto de observação, seria apenas um meio tácito e intangível de percepção ou uma forma simples e confiável de análise da personalidade humana?

O coração às vezes ainda atua como vidente, pressente coisas e fatos que ainda não ocorreram isso fica evidente quando algo acontece sempre se escuta: “meu coração palpitou que isso iria acontecer” ou até mesmo quando algo de ruim está para acontecer o coração fica “apertado”. Como se explica isso? Acho que não se explica, talvez seja apenas mais um acúmulo de função, uma habilidade desenvolvida pela necessidade sensorial da alma.

Pode dizer que coração é bobo, se apaixona a toa, bate feliz quando te vê, serve de guia, tem metade certa, pode ser entregue, roubado, é o lugar onde você guarda o que tem de bom e de mau. Mas já dizia Renato: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”

domingo, 18 de outubro de 2009

Com o passar do tempo....



E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Novo


O novo é mesmo assim jovem, moderno, surpreendente e desafiador.
Não vem só no fim de cada ano, vêm todas as manhãs.
É igual à TV nova só que sem o manual de instruções.
É aquele barulho de tssss quando você abre aquele refrigerante, você veste, liga e desliga, exige um slogan, uma boa propaganda e que sempre permite o recomeço.

Ainda está na caixa, não amadureceu, não chegou aos quinze, não tem nada escrito e não emperra pra fechar.
O que é novo tem etiqueta, não está amassado, riscado ou sujo.
Ao contrário é do tipo branco brilhante, cheiro de bebê, bem dobrado, embrulhado e ainda está no plástico.
Tudo que você ainda não provou, leu ou ouviu é novo.

Aquilo que estréia com lançamento, desperta o desejo de ter, sinônimo de avanço, futuro.
Anda mais rápido, design arrojado, tem qualidade superior, boa resolução, é caro, é do ano, inovador.
Desperta o zelo, cuidado, atenção pra sempre continuar novo.

Felizmente tudo um dia fica ultrapassado, antigo, velho, só assim o que é novo aparece e percebemos o quanto ainda podemos melhorar e evoluir
.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Meu amigo


Amizade é assim mesmo, tenho que me conformar, você conhece, gosta, compartilha, se afasta, sente saudades, mas romper laços de fato não dá, amigo dos bons é uma pedra no sapato.

Os amigos de verdade são todos cheios de problemas esperando só por você pra poder contar, de boas risadas aguardando só você pra sair e até lágrimas você tem que enxugar. Só eles sabem guardar segredos, nunca esquecem data do seu aniversário, talvez por isso só eles façam festa nesse dia, riem quando você conta uma piada sem graça, perdoam quando você perde algo que os pertencia e até dívida perdoam, com eles aquele dito amigo amigo, negócios a parte não existe, mas claro há exceções.

Não me peça pra descrever com tanta precisão como eles agem, você sabe, amigo bom mesmo é tudo igual, ora chatos ora normais. E assim vamos estabelecendo e concretizando o contato, confundindo a vida de um com a vida do outro, várias histórias em comum.

Se pensar numa vida sem ter um amigo que seja, é só me dizer que faço um esforço pra puxar conversa e ir logo revertendo esse quadro. Mesmo com poucos amigos é possível fazer uma grande amizade, porém não reclame se não tiver um melhor amigo pra lembrar quando estiver lendo isso, fez sua parte? Foi o melhor amigo pra alguém alguma vez, ou só esperou favores sem retribuir?

Agora quando encontrar um amigo, eu disse amigo mesmo, agüente-os para o resto da vida, porque mesmo que você mude de endereço, nº do telefone, e-mail, eles dão um jeito pra te encontrar e perguntar como vai sua vida, as novidades, chamar para o aniversário deles ou qualquer outra comemoração que reúna toda aquela turma boa, tudo isso é culpa sua, tinha que estudar na mesma escola que eles? E ainda mais na mesma sala?Prestar vestibular para o mesmo curso? Morar na mesma rua? Mas pensando bem foi melhor assim.

E assim você vive, reencontrando e se surpreendendo como a amizade é contrária ao tempo, algumas coisas quando envelhecem perdem o valor, você logo pensa em jogar fora, e amizade não, quanto mais velha, antiga, melhor ela fica.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Analfabeto eu?



De uns tempos para cá, percebi que o conceito da palavra analfabeto é bem mais abrangente do que se pensava.

Ao conseguir decifrar esse código e compreender a mensagem aqui presente, por um dos empregos da palavra você não é um analfabeto, não faz parte dos mais de 15 milhões das estatísticas do Ministério da Educação, mas o mundo não se limita somente a decodificação de símbolos.

Analisando o termo por ângulos diferentes, você necessariamente é analfabeto, ou seja, sempre há algo que você ainda não sabe. Talvez você se identifique com esses quatro tipos de analfabetismo classificados no ranking dos que mais sofrem preconceitos e mais difíceis de erradicação.

O Analfabeto tecnológico caracteriza-se por sua incompatibilidade de manipular as tecnologias presentes no seu dia-a-dia. Por exemplo:
• Celular possui um conceito breve, aparelho pequeno que quando levado ao ouvido permite escutar a voz de uma pessoa.
• Computador é apenas uma televisão difícil de ligar e que guarda meu Orkut.
• MP3 já tive um, mas tinha tal de USB que nunca achei.

O Analfabeto gastronômico típico sujeito que possui desastrosas aventuras na cozinha. O fogão nunca compreende o que é pra fazer, a cozinha é o local da casa com maior força gravitacional e tudo tem a tendência de ir repentinamente ao encontro do chão, o fogo é realmente perigoso quando fica fora de controle e a comida não é ruim, só é feita para paladares extremamente, eu disse, extremamente apurados.

O Analfabeto esportivo é minoria, porém sua incapacidade de entender os esportes é grande. A maioria composta por mulheres, sem preconceitos, são dados estatísticos, os indivíduos desse grupo nunca compreende porque um bando de idiotas corre atrás de uma bola, porque quase todo esporte tem um bola, porque não posso torcer pra seleção ganhar o campeonato brasileiro. Pra essas pessoas Diego Hipólito é um grande jogador de basquete, Zico se consagrou no Itumbiara e Fernando Scherer é ex-paquito.

O Analfabeto automobilístico, o mais nocivo dos analfabetos. Sua inabilidade de conduzir veículos de transporte os torna potencialmente perigosos pela possibilidade de causarem graves acidentes. Sempre ficam na expectativa de ouvir a expressão “o carro está pedindo marcha!”, e sempre têm muitas dúvidas, porque o espelho do retrovisor é tão pequeno? O motor é na frente ou atrás? Onde fica o freio mesmo? A direção causa medo, parece que todos os gatos, cachorros e criancinhas correndo atrás de uma bola resolvem atravessar na frente do carro toda vez que ele dirige.

Mesmo que você se encaixe em algum desses tipos, isso necessariamente não significa que seu valor diminui por não compartilhar os mesmo conhecimentos que outras pessoas possuem, afinal ninguém sabe tudo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não eu não bebo!


Desculpa excelente quando te oferecem alguma bebida. Você educadamente responde: eu não bebo, mas eles insistem: prova, você retruca: não eu não curto!
Mas se a insistência permanecer aqui tem umas desculpas mais elaboradas:

•Não quero parar no hospital todo inchado, sem conseguir nem andar, quase sem roupa, levado por uma pessoa que nunca vi na vida, só para tomar glicose na veia porque a cerveja estava tão gelada que não resisti.

•Não quero cair no chão do bar esperneando, com a minha súbita felicidade, ou meia-hora depois estar aos prantos compulsivos contando minhas mágoas para as pessoas, isso antes de minha vocação de cantor ser aflorada repentinamente, depois da quinta dose, você passa de homem a um palhaço bêbado.

•Não eu não quero dançar só de cueca em cima da mesa igual a um Michael Jackson desengonçado, estado esse conquistado pela doce ilusão de estar mais sexy do que de costume, após beber você pensa: que mal tem fazer estriptease.

•Não eu não quero enriquecer, ficar o rico poderoso, achar que com a grana que tenho na carteira posso tomar todo o estoque de uísque, nem tão pouco me achar o mais forte e valente, pensar que só comum braço acabo com o engraçado que se meter comigo, até porque meu pai não é advogado tão pouco da polícia.

•Não me desculpa sou exigente quando o assunto é mulher, não quero pegar a mulher mais feia que estiver na minha frente só porque minha vista está confusa, pensar ainda que encontrei a mulher da minha vida e propor logo um casamento, bêbado não sabe usar camisinha.

•Não dá, estou de carro, beber implica sair discordando das pesquisas que dizem que o álcool faz perder habilidade motora, só pra sair dirigindo e matar uns três ou quatro mendigos nas calças antes de destruir o poste com a frente do meu carro, não dá trabalhei bastante para comprar meu carro e o seguro está atrasado.

•Não posso, detesto ressaca, principalmente aquelas seguida de longas dores de cabeça, sem falar do gosto ruim na boca depois das vomitadas no sanitário, detesto levantar quando estou dormindo para beber água, e ressaca dá uma sede, sem falar nas idas ao banheiro, morreria de desidratação.

Agradeço aos amigos pela inspiração, admiro-os, mas não invejo os que gostam de degustar excessivamente o álcool na sua forma comercializada em garrafas de vidro ou alumínio. Afinal a fila para um transplante de fígado não está tão longa assim, são apenas 8 mil concorrentes, e por mais que eu seja doador de órgãos, fígado eu só tenho um, então não se confiem.

Observando o Tempo

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