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sábado, 13 de outubro de 2012

Aquele caminhar

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Aperto o passo

À distância me aperta

O tempo recua frente a minha audácia

Recupero o fôlego, recupero as lembranças

Recupero os motivos que me levam a caminhar

Sob o sol

Sob a lua

Repulsando os medos, abraçando os anseios

Minha tristeza e meu cansaço relutam e instigam o desencorajar

Mas a coragem não cessa

Não cessa a pressa

Não cessa o pensar

Penso na verdade que enche o vazio da descrença

E digo:

Descrença deixe espaço. Minha fé não tarda a chegar!

Não dou meus passos aos medos

Dou passos aos sonhos

Aqueles sonhos que me assustam o olhar

Não pela impossibilidade de realizá-los, mas pela tamanha felicidade que guardam

Seguimos

Eu e o caminhar

Aquele caminhar

Deixando rastros de liberdade

Brincando de versejar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Silêncio Não-verbal

silencio

Não sei lidar com abstração, sou criteriosamente criador de conflitos reflexivos, diariamente compostos de significado vazio e impróprio.

Sou mais que tudo observador da sempre onipresente inconstância da vida, fonte infinita de contradições e desesperanças.

Soluções e recompensas esquecidas no final da maior de todas as estradas, a da vida, que mesmo percorrida a passos largos, não é vencida, precisa-se de mais, mais do que largos passos, precisa-se de fé.

Vida insana, de mortes e ressurreições diárias, sou vivo de corpo ou de espírito?

Talvez seja eu vivo dos dois, pois sinto tanto no corpo quanto no espírito as derrotas e as vitórias que me impões.

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

 
A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,verdade
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

 

sábado, 7 de abril de 2012

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arvore 

Uma vez me pediram amor

Entreguei minha alma

                           Pediram-me paz

                           Doe-lhes toda a minha tolerância

Precisaram de amigos

Fiz-me presente em todos os bons e maus momentos

                          Sentiram necessidade de esperança

                          Compartilhei meus sonhos

Quiseram coragem

Ofertei minha fé

                            Tiveram urgência

                            Queriam ser mais humanos

                                                                               Neguei.

Não posso dar-lhes meu coração

Esse que chora fácil

Órgão tolo

É por causa dele que entrego tudo que tenho de mais precioso.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Paixão, Amor e Tempo

maos-dadas

Um piscar de olho

Um beijinho no rosto

Um aperto de mão

 

Só isso minha paixão?

 Encontro marcado

Passeio de rosto colado

Um abraço

Um beijo roubado

Só isso minha paixão?

Dedos entrecruzados

Um abraço bem demorado

Um beijo de olhos fechados

E um pouco de amasso

Só isso minha paixão?

Uma mordidinha na orelha

Um escorregar de mãos

Um calor desenfreado

Dois corações acelerados

 

Só isso minha paixão?

Alguns presentes

Algumas declarações

Um tanto de ciúme

Ligações perdidas

Brigas

Desencontros

Saudades

Reconciliação

Amor, isso ainda é paixão?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Poesia embalada em Papel-de-bala

24a

Escrevo sobre amor em papel-de-bala

Minha poesia é pobre não merece papel vergê

Mas o seu amor se foi?

Não, o amor ficou

Ficou incomodando

Pedindo uma poesia

Suplicando uma declaração

Matando-me de inspiração

Como depois de alguns outonos, sempre sobra um papel-de-bala

Escrevi desalinhadamente

Delicadamente formei versos

O papel é fino, não há rima

O espaço é curto, apelei para a métrica

Um espaço no final,

Fiz uma silenciosa dedicatória:

Ao amor que fez-me livre e poeta.

Não assinei

Meu amor sabe reconhecer meus versos

Sei que não espera encontrá-los retorcidos, um tanto amassados

Mas esse amor que falo

Ficará feliz ao entender:

Só o amor vivido intensamente pela alma cabe em um simples papel-de-bala.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Frase

Percebi que acordar exige mais que um simples abrir de olhos,requer coragem para enrijecer os punhos e lutar contra a realidade moldada nos medos que perseguem os meus sonhos.

sábado, 16 de abril de 2011

No interior

O povo acorda cedo

Engole café preto com pedaço de pão seco sem recheio

Pedem a benção aos santos que posam nos quadros

Uns conversam sobre o tempo: Cadê as chuvas de janeiro?

Varrem o terreiro

Outros vão a cidade

Chapéu, saias bem passadas, camisa cambraia,  perfume bem guardado, daqueles só usados  nos batizados e nos dias de aniversário

Caminhonete, carroça, bicicleta e jumento bem celado, no interior é melhor que metrô e ônibus lotado

 

O trânsito na cidade segue sem congestionar, o bode e cahorro nem olham para os lados na hora de atravessar

A prefeitura abre as portas

O som da igreja começa a anunciar, de falecimento até nome do povo que vai casar

O povo passa na budega, se pesa na farmácia

Na volta se pesa na farmácia e passa na budega

Vida corrida essa

Interior -  Mafra - (Foto - J.C. Grein Xavier)

Se chegar cedo dá tempo ir no posto para se consultar,

Aqui menino tem doença que nem o melhor doutor  consegue tratar

Farnizim, quebranto, dor nos quartos

Agora vento caído tem que mandar rezar

Notícia boa aqui não sai na globo, vem da boca do povo

As últimas traições, quem foi preso e quem foi solto: tu num soube?

A língua que corta e a fofoca repassada é mais rápido que pesquisa no google

No interior

Táxi é carro fretado

Alternativo é carro de linha

Sobrado é primeiro-andar

Mansão é casa com portão na frente

Lazer é sentar na calçada

lotérica é banco

Esquina é sala de bate-papo

Ah! No interior tudo é na santa paz

Quase nada acontece

Quase todo dia é igual

A não ser o vento que às vezes muda de direção.

 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tempos de Criança


Quero ser de novo criança
Quero correr e pular sem rumo
Segurar na mão do meu pai para não me perder no mundo
Quero falar besteiras e leseiras
Seguir inocente
Perder o primeiro dente

Fazer novamente a primeira comunhão
Dar beliscão e cutucão
Quero minha mesada de antes,
Dez centavos e um chiclete
Quero minha OPANCA e um pé pequeno
Segurar meu carro apenas com uma mão


Quero errar o contorno das letras
Falar pra tia: Presente!
Começar o ano pensando no caderno novo
Quero matar a fome no recreio
Desenhar um tigre ainda que com cara de coelho
Cortar o cabelo mesmo sem me ver no espelho
Até aceito ralhar de novo o joelho

Cair e levantar
Chorar e chorar e depois pedir para Jesus sarar
E assim reaprender a rezar
Andar de bicicleta achando que posso voar
Quebrar algo e minha mãe achar que foi culpa do gato
Falar meio alto
Tirar o sapato e andar descalço



Eu criança
Esqueço as responsabilidades
Caminho sem pressa
Sem perder a esperança
Refaço os planos seguindo com o mesmo coração.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Relatividade na Sorte e no Azar


O jogo entre a sorte e o azar acompanha o homem desde o início de sua vida, cercando-o de situações que para muitos limitam e resguardam, em alguns casos, a existência humana tão somente sob o conceito da casualidade. Talvez por ser a vida encarada, em sua maior parte, como um jogo, aplicamos os conceitos de azar, que às vezes, traz perdas, porém, instiga mudanças e, o de sorte, que quando não acumula ganhos, danos não causa.

Nasceu! Logo em seguida o homem se pergunta: azar ou sorte? Para os que vêem pelo lado da probabilidade, nascer, é o fato mais sortudo que alguém pode ter, afinal, você era um entre milhões em busca de um único óvulo e com inúmeras adversidades fisiológicas para enfrentar. Mas, alguns podem ver isso já como um grande azar. Nasceu! Pronto, agora prepare-se para viver, encarar problemas e dificuldades, sujeitar-se à pressões, dias eloquentes em busca da sobrevivência.

Contudo, outros podem entender que esses conflitos e dificuldades diários são implícitos do processo de existência e aí não adianta ser sortudo ou não, um dia possivelmente você acordará atrasado para trabalhar, tropeçará ao sair de casa, baterá o dedo ao fechar a porta do carro, fatos amenizados se você estiver atrasado para trabalhar na sua própria empresa, tenha tropeçado na mulher da sua vida ao sair de casa e o carro que esmagou seu dedinho seja importado, nesse caso o ponto de vista da casualidade transborda-se de relatividade.

Podemos dizer também que viver com dignidade, com casa, educação, saúde,comida e em uma família organizada, talvez seja mais que sorte. Certeza de azar mesmo seja nascer em um país em que dignidade é rara, as casas de papelão, a saúde morreu sem socorro e as famílias perderam a forma: mamãe solteira e papai preso ou pior mamãe e papai presos, mas ainda bem que vovó é aposentada, sorte!. A velhinha tem noventa anos, azar!

Para muitos, o sortudo tem perfil, ganha sem trabalhar, morre sem sofrer, mora em uma praia do Havaí. O azarado também é tipificado, não tem emprego, sofre muito antes de morrer e mora embaixo de um viaduto. A relatividade dos padrões de existência humana desperta contradições gigantescas de vidas, e tendenciados por isso buscamos explicar essas situações limitando-as a mera questão de sorte ou zar.

Assim, fugindo dessa imprecisa filosofia que privilegia o acaso e a predestinação, se regido pela sorte ou pelo azar, vejo o pobre tão digno quanto o rico, a mulher estéril tão fecunda quanto à mulher com oito filhos, o mudo tão capaz quanto o maior orador. E assim o que para uns trata-se de sorte ou azar pode ser entendido como maneiras diferentes de transpor a mesma vida.

Percebo, enfim, que enquanto o homem, esse ser insatisfeito, continuar em busca da felicidade, os conceitos de azar e sorte, como tudo neste mundo, serão julgados pela lei da mutabilidade, ou seja, hoje aquilo o que para você é sorte ou azar, em algum momento futuro talvez deixará de ser, a partir do instante em que não agregue mais valor a completude da alma humana.

Observando o Tempo

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