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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Relatividade na Sorte e no Azar


O jogo entre a sorte e o azar acompanha o homem desde o início de sua vida, cercando-o de situações que para muitos limitam e resguardam, em alguns casos, a existência humana tão somente sob o conceito da casualidade. Talvez por ser a vida encarada, em sua maior parte, como um jogo, aplicamos os conceitos de azar, que às vezes, traz perdas, porém, instiga mudanças e, o de sorte, que quando não acumula ganhos, danos não causa.

Nasceu! Logo em seguida o homem se pergunta: azar ou sorte? Para os que vêem pelo lado da probabilidade, nascer, é o fato mais sortudo que alguém pode ter, afinal, você era um entre milhões em busca de um único óvulo e com inúmeras adversidades fisiológicas para enfrentar. Mas, alguns podem ver isso já como um grande azar. Nasceu! Pronto, agora prepare-se para viver, encarar problemas e dificuldades, sujeitar-se à pressões, dias eloquentes em busca da sobrevivência.

Contudo, outros podem entender que esses conflitos e dificuldades diários são implícitos do processo de existência e aí não adianta ser sortudo ou não, um dia possivelmente você acordará atrasado para trabalhar, tropeçará ao sair de casa, baterá o dedo ao fechar a porta do carro, fatos amenizados se você estiver atrasado para trabalhar na sua própria empresa, tenha tropeçado na mulher da sua vida ao sair de casa e o carro que esmagou seu dedinho seja importado, nesse caso o ponto de vista da casualidade transborda-se de relatividade.

Podemos dizer também que viver com dignidade, com casa, educação, saúde,comida e em uma família organizada, talvez seja mais que sorte. Certeza de azar mesmo seja nascer em um país em que dignidade é rara, as casas de papelão, a saúde morreu sem socorro e as famílias perderam a forma: mamãe solteira e papai preso ou pior mamãe e papai presos, mas ainda bem que vovó é aposentada, sorte!. A velhinha tem noventa anos, azar!

Para muitos, o sortudo tem perfil, ganha sem trabalhar, morre sem sofrer, mora em uma praia do Havaí. O azarado também é tipificado, não tem emprego, sofre muito antes de morrer e mora embaixo de um viaduto. A relatividade dos padrões de existência humana desperta contradições gigantescas de vidas, e tendenciados por isso buscamos explicar essas situações limitando-as a mera questão de sorte ou zar.

Assim, fugindo dessa imprecisa filosofia que privilegia o acaso e a predestinação, se regido pela sorte ou pelo azar, vejo o pobre tão digno quanto o rico, a mulher estéril tão fecunda quanto à mulher com oito filhos, o mudo tão capaz quanto o maior orador. E assim o que para uns trata-se de sorte ou azar pode ser entendido como maneiras diferentes de transpor a mesma vida.

Percebo, enfim, que enquanto o homem, esse ser insatisfeito, continuar em busca da felicidade, os conceitos de azar e sorte, como tudo neste mundo, serão julgados pela lei da mutabilidade, ou seja, hoje aquilo o que para você é sorte ou azar, em algum momento futuro talvez deixará de ser, a partir do instante em que não agregue mais valor a completude da alma humana.

Observando o Tempo

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