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sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Observar

 



Você já imaginou o que seria do céu sem seus observadores, se perguntou se há nesse mundo quem ainda não deitou sob um céu estrelado, aquele com uma lua imponente, um infinito todo ali passível de contemplação. Sem o ato de observar muitas estrelas ainda estariam à espera da descoberta, sem nome e sem uma constelação, nunca teríamos visto à imagem de são Jorge nas crateras lunares e as cadentes que despertam fascínio e realizam desejos.

Quantos foram os grandes nomes da historia que se tornaram gênios diante da sociedade mediante uma observação. Se Newton não tivesse visto uma maçã a cair talvez ainda nos perguntássemos frustradamente porque não voamos, quantos não foram às inúmeras cobaias, rotineiramente vigiadas por olhos doutorados da ciência em busca do por que comportamental ou das reações a alguma substância. Através da atenção guiada pela curiosidade do conhecer fizemos surgir de sábios como Platão a gênios como Einstein, passamos de geocêntricos a heliocêntricos graças aos olhos sem telescópio de Copérnico, pintores como Debret e Da Vinci, arquivaram suas observações em tintas e telas históricas, guerras foram vencidas e até mesmo reis napoleônicos e pérsicos foram derrotados com rapidez e astucia da simples tática de observar estratégias.

Todas as conquistas humanas sempre se basearam em observações sejam casuais ou meticulosas. Observando os erros, agora sabemos que produção em larga escala sem consumo leva a crises, observando os acertos, continuamos a usar antibióticos para combater infecções. Conquistamos com a TV a oportunidade de observar, em tempo real, o que acontece em vários lugares através de uma tela bombardeada por elétrons, com isso massificamos o processo de observação, e assim toda uma geração, milhões e milhões ganharam o nome de telespectadores, que agora hipnotizados passam horas e horas pulando remotamente canais atrás de saciar a vontade de ver.

Um observador nato analisa criteriosamente um ambiente ao entrar e ao sair, deduz muito de alguém pela forma como está disposto, vestido, pela maneira como anda ou fala, baseados em uma única observação, salvam ou empurram réus para a condenação, estabelecem o difícil perfil da personalidade humana e narraram textualmente boas historias em terceira pessoa.

Quem observa sabe seguir moldando a vida, estudando a melhor maneira de agir. Quem observa vive os detalhes, saboreia com fugacidade cada problema, pois tem um mundo todo sob o comando dos olhos. Permanecem eternamente sábios, pois descansam a mente preenchendo os olhos admirando um belo pôr-do-sol, assim exercitam sempre sua melhor arte.

Tolices




A tolice em nós humanos é o defeito que salta, excede, supera-se em relação a tantas outras imperfeições que nos constituem. O tolo age à mercê da inocência irracional e de um conhecimento pretensioso.

O humano por si ama cosias fúteis, estabelece facilmente um relação de extremo sentimentalismo com coisas que não cumprem o que o termo mutualidade significa em uma relação, pergunte-se como um carro pode despertar um apego tão vivo quanto um amor correspondido.

A futilidade que faz os tolos age de forma a aprisioná-los em relações esquisitas, colecionadores apegam a moedas, selos, discos de vinil, outros tantos zelam doentiamente pelas coisas que possuem privando-se do prazer de usá-las para conservá-las, outros se apegam a objetos que não podem deixar de ser usados devido à sorte que trazem, relações essas onde a troca é unidirecional ou em sentido algum.

Muitos gastam boa parte da vida com lamurias e lagrimas impróprias, sofrem com as mínimas perdas e guardam ressentimentos e magoas que deixam a vida mais que pesada. Se és tolo reconciliações são desconhecidas, apertos de mão impossíveis e até um abraço mesmo que aquele travado não pode ser feito por que tolos não sabem calcular o preço do ato de perdoar, ficam a expor velhas feridas de forma que nem mesmo o tempo as cura.

Tolos contentam-se com uma bela embalagem, preferem recados a palavras ditas com uma voz honesta. Para eles bons presentes são aqueles que os encha a vaidade, que os deixem entorpecidos pelo falso brilho que transmitem, os presentes de que realmente necessitam são dispensáveis, trocam facilmente um bom conselho por um perfume, e ficam assim com o olfato satisfeito e a visão sem destino.

E assim continuaremos a ver que tolos ao invés de educar suas crianças com boas histórias, com um sono embalado pelo colo maternal, através de brincadeiras que despertem o sorriso ao colorir um simples desenho, pelo quase gol, pela vertiginosa sensação das brincadeiras de roda, preferem criá-las sobre rabiscos de desenhos japoneses e sobre a estupidez gritante dos teletubbies. A espécie perpetua-se de geração em geração, os tolos educam tolos.

Observando o Tempo

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